O recomeço

5 12 2007

A reabertura do Theatro XVIII, agora em dezembro, será marcada pela reapresentação da peça “Os filhos da filha da Chiquita Bacana”. As exibições acontecem sempre aos sábados e domingos, às 20h, até o dia 16. O ingresso não é desculpa: custa apenas R$4 – como parte da política bem sucedida do XVIII de democratização do teatro.

 A obra é encenada pela atriz Rita Assemany com roteiro de Aninha Franco e Marcos Dias. O espetáculo é o exemplo perfeito da mistura de uma peça teatral com boa música. Na peça, textos e letras de Assis Valente, Caetano Veloso, Gordurinha, Waly Salomão, Jorge Amado, Carlinhos Brow, Capinam, entre outros. 
 
O nome da montagem é uma referência bem-humorada à marchinha “Chiquita Bacana”, de Braguinha, e “A filha da Chiquita Bacana”, de Caetano Veloso.
 
“Os Filhos da Filha da Chiquita Bacana” mistura fragmentos de textos e músicas de grandes autores e compositores da Bahia, a exemplo de Jorge Amado, Dorival Caymmi, Wally Salomão e Carlinhos Brown, que, de uma forma ou de outra, cantam a Bahia, sua diversidade, suas belezas, seu povo e suas dificuldades.  

Serviço
 
O quê: Os filhos da filha da Chiquita Bacana
Quando: Acontece nos dias 1,2,8,9,15,16 de dezembro, janeiro e fevereiro, sempre ás 20h.
Quanto: o valor da entrada custa R$ 4
Onde: Teatro XVIII, Rua Frei Vicente, nº 18, Pelourinho
Telefone: 3322-0018

Fonte: www.atarde.com.br





10 anos de Rrrrrrrrrraça

19 11 2007

Cabaré da Rrraça 

O espetáculo  Cabaré da Rrrrrrrrrrrraça, do Bando de Teatro Olodum, comemora dez anos com três apresentações especiais nos dias 23, 24 e 25, às 20h, no Teatro Vila Velha. Além da peça, cada a noite terá um convidado musical: Mariene de Castro, Jauperi, Lazzo e a banda do Ilê Aiyê ka confirmaram presença.

Um vídeo sobre o espetáculo com imagens de arquivo e depoimentos está sendo produzido pelos atores do Bando. Entre outras personalidades, participam do vídeo o secretário de Promoção da Igualdade Luiz Alberto dos Santos, o ator Lázaro Ramos, o presidente do Ilê Aiyê Antonio Carlos Vovô, as sociólogas Luiza Bairros e Vilma Reis, a ex-reitora da Uneb Ivete Sacramento e o Prof. Ubiratan Castro de Araújo.  Uma exposição de fotografias também acontece no foyer do Vila Velha em comemoração ao aniversário, com fotos e objetos sobre o espetáculo.

O espetáculo Cabaré da Rrrrrrrrraça é dirigido por Márcio Meirelles e traz humor e questionamento sobre o racismo.

Serviço
O quê: 10 anos de Cabaré da Rrrrrrrraça, do Bando de Teatro Olodum
Quando: 23, 24, e 25 de novembro, às 20h.
Onde: Teatro Vila Velha, Passeio Público, Campo Grande.
Quanto: R$ 20,00 (inteira) R$10,00 (meia)





A grande estréia

16 11 2007

Uma nova leva de atores, atrizes e diretores se preparam para estreiar nos palcos baianos, pelo menos com o título profissional. Nesta semana, começa a temporada de apresentações dos espetáculos que compõem os trabalhos de conclusão de curso de Artes Cênicas da Faculdade Social da Bahia (FSBA), em Salvador.

 Para marcar o momento único, os graduandos optaram por um clássico de dramaturgia do espanhol Garcia Lorca: Yerma. As apresentações acontecem de quinta à domingo, às 20h, no Teatro Isba. Os ingressos custam apenas 1kg de alimento não perecível.

O texto representa em três atos, o desespero de uma mulher que não consegue ter filhos. Para reverter este drama, a protagonista busca de todas as formas conceber o seu filho, e recorre a métodos que geram indiferença e discussões trágicas com o seu marido.

A história se passa, originalmente, em Andaluzia, na Espanha, mas para a montagem baiana, o diretor Raimundo Matos de Leão adaptou a saga da sofredora para o sertão nordestino. Nada mais coerente.

Os novos atores, Ava Catarina, Ricardo Fariah, Gabriela Oliveira, Manuela Oliveira, ALine Queirós, Paula Alves, Cínthia Cassemiro, Rafaella Felizardo e Irene Gonçalves, imergiram em um processo construtivo denso, com ensaios, leituras e provocações por quatro meses.

Um bom exercício para estes novos talentos, que podem ainda nos dar muitas emoções, e muitos espetáculos memoráveis. Boa sorte, merda pra todos. 





Feriado repleto

16 11 2007

Para quem ficou em Salvador neste feriadão, não faltam opções para se divertir com as peças e produções da cidade. Veja algumas dicas!

NÚ BUZU
Local: Teatro Caballeros de Santiago
Endereço: Rua da Paciência, 441
Horário: Sexta e Sábado – 20h / Domingo – 19h
Valor: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia) / mais um livro para doação.

Com texto e direção de Tânia Tôko, que também integra o elenco juntamente com Lyu Arisson e Meire Margarete, o espetáculo trata de forma divertida do cotidiano das pessoas que utilizam o ônibus como meio de transporte, com seus diversos comportamentos que chegam a parecer um verdadeiro teatro quando observados.

Quem Guenta Com Essa Verdade?
Local: Teatro Caballeros de Santiago
Endereço: Rua da Paciência, 441
Horário: Sábados e Domingos às 20h
Valor: R$20,00 (Inteira) e R$10,00 (Meia).

Texto e direção do baiano Fabrisio Coelho. Marcada pela linguagem cômica, a peça aborda o universo familiar cotidiano, onde uma família da alta classe se vê em total desequilíbrio ao perceber que é inevitável a falência de seu império, e tendo assim que migrar para casa de um de seus funcionários no subúrbio da cidade, tendo que conviver com diversos choques culturais.

Rádio Hibrida
Data: 9/11/2007 a 24/11/2007
Local: Teatro Gamboa
Endereço: Rua Gamboa de Cima, 3
Horário: às 20h
Valor: R$10 (inteira), R$5 (meia).

O novo trabalho do Coletivo Cruéis Tentadores trata-se de um desdobramento do programa radiofônico existente em Guilda, peça que no ano passado gerou bastante polêmica ao abordar sexualidade, androgenia e o excesso de intervenções cirúrgicas para alcançar o padrão estético desejado. Em Rádio Hibrida esses assuntos continuam presentes, mas com uma roupagem diferente, inseridos nas notícias, nos anúncios comercias, nas vinhetas, nos recados amorosos e na seleção das canções.

Como Almódovar

Local: Teatro Espaço Xisto – Biblioteca Central dos Barris.
Temporada: De 6 a 21 de novembro (terças e quartas)
Horário: 20:00h
Valor do ingresso: R$ 10,00 – inteira – R$ 5,00 – meia

Inspirado na obra do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, com texto inédito de Cláudia Barral. No elenco, 7 atrizes e 2 atores para darem vida a um travesti que trabalha como dama de companhia, uma enfermeira transsexual operada, uma mulher mal-amada, uma mulher desejada, uma apresentadora de programa sensacionalista de TV, um ex-interno de manicômio, um cafajeste aproveitador, uma freira e uma puta; 9 personagens típicos do cineasta envolvidos numa história única onde todos se relacionam.

Confira mais informações no blog do grupo, e leia uma crítica da peça, feita por um expectador.

 





Na cara dura

4 11 2007

Salvador é uma cidade que precisava de um festival de artes cênicas como o I Festival Nacional de Teatro da Bahia. E não é preciso muito argumento para convencer as pessoas disso, basta apelar para a grande efervescência cultural, que nos coloca como um pólo produtor de grandes e diversificados espetáculos.

Não bastasse esta característica quase única no país – de produzir e respeitar a diversidade cultural e o pluralismo -, nossa cidade também tem como trunfo o grande e fiel público de teatro. Grande sim, senhor. Por que temos uma produção contínua em diversos espetáculos, com públicos recordes e assíduos para aquelas obras que valem a pena – e sobretudo, que respeitam a realidade socio-econômica da cidade.

Então, somado tudo isso, seria de se esperar que um evento como o festival tivesse aceitação garantida entre o circuito de produtores e patrocinadores culturais da cidade. Ledo engano.

Com um orçamento inicial de R$ 396 mil - para custear despesas de divulgação, pauta nos teatros, alojamento e transporte das companhias e grupos visitantes -  a organização do Festival recebeu um ‘bolo’ do patrocinador e teve que arcar com os custos todo sozinho.

As verbas utilizadas para honrar os contratos e a programação eram recursos próprios da Cooperativa de Teatro, a organizadora do evento, e não ultrapassam a casa dos R$200 mil. Ou seja, a programação que hoje é rica e muito eclética, poderia ser ainda melhor. 

Aqui cabe ressaltar que esta verba vem do Fundo de Cultura, da Secretaria Estadual de Cultura – aquela mesma demonizada por casos de abandono a outros espaços culturais.

De toda forma, o Festival é mais um exemplo emblemático de que não faltam a criatividade e iniciativa do baiano, sobretudo no teatro, mas sobram barreiras graves (= falta de dinheiro) para concretizar todo este potencial.

Este é um problema histórico de produções. De certo, muitos produtores da moda reclamam as pitangas por falta de recursos, mas sempre esbanjam grandes megas espetáculos repletos de patrocínios culturais – muitos deles atráves das leis de incentivo e renúncia fiscal.

Para estas produções – e principalmente, para este pequeno grupo de produtores – nunca faltou recursos, apesar dos choramingos. As empresas que deduzem os impostos com estes patrocínios são reféns cômodos deste pequeno círculo, e não ousam em apostar em novas e importantes iniciativas.

Se a eles não interessa a reflexão sobre a quem se destinam as obras; sobre a importância social dos projetos; sobre o potencial cultural das inovações, a nós, o fiel público baiano, pesa a responsabilidade deste julgamento.

 Não podemos desperdiçar a oportunidade de conhecer tantas manifestações artisitcas importantes. Principalmente, não podemos deixar de apoiar a iniciativa; comparecer ao teatro; indicar e fazer campanha. Esta é a nossa maior contribuição para aqueles que se dedicam de forma plena ao teatro, que se esforçam para vencer barreiras e trazer até nós mais arte, mais emoção e muito mais cultura.